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segunda-feira, 14 de setembro de 2020

Desacelerando

nós temos dores parecidas e apesar das coincidências, vivemos mais entre estranhezas do que afagos
somos olhos que não conversam mais
bocas que não se desejam...
pessoas de almas bonitas, mas tristes o suficiente para definharem

eu me pergunto se posso voltar 
e quando me permito, não sei para onde
qual foi o caminho que fizemos?
de onde vem essa terra vermelha que se confunde com o sangue que carregamos entre os dedos dos pés?

as minhas mãos se encaixam anatomicamente nas curvas da tua cintura
mas sempre que te dedilho, a tua pele descama
porque tudo o que eu toco se desfaz

somos biológicos tanto quanto o galho de uma árvore sem frutos
ventres vazios, ocos por dentro, com vermes que se reproduzem, constroem e destroem camadas de tecidos que não sei dizer o nome, agora...

nós olhamos constantemente para cima, mas há uma gravidade que nos puxa incansavelmente para baixo
e eu estou caindo