terça-feira, 16 de julho de 2019

Dormindo sobre o fogo

Nós nunca daríamos certo, pois somos incompreendidos como uma música do Blackie Lawless e improvavelmente capazes de conquistar corações ávidos pela noite.
Hoje chove vermelho, com cheiro de sangue. Os peixes pulam do aquário e nós estamos morrendo. De novo.
E mesmo assim, querido, eu o imploro para que sinta, toque, pulse, cuspa o desejo profano de ser autenticamente humano e errôneo. Clame aos meus olhos que atravessam as chamas da vela mortífera, como se o balançar das árvores no quintal não fosse assustador o suficiente.
Grite o meu nome, enquanto queimamos junto da última faísca de amor que nos sobrou. Grite o meu nome, enquanto a vida ainda não te escapa pelas mãos, como um resquício do teu útero estéril que se lança contra as maldições venenosas dos vermes que se frutificam em nosso cadáver. Decomposição meramente humana, desenfreada, cárcere de sonhos perdidos, incompreendidos, irrealizáveis, eles nos gritam.
E no fim, morreremos sufocados pelo nosso próprio ego, com as línguas entrelaçadas e as almas dançando valsa pelos corredores do inferno... Sempre foi como sonhamos. Estarei feliz, por lá.

"O amor é compensação da morte."
Arthur Schopenhauer