terça-feira, 12 de março de 2019

Das flores, você dizia que eu era a menos colorida
Eu nunca gostei delas
Sabe, pode soar arrogante, mas a textura áspera me causa alergias
As erupções cutâneas não são tão vibrantes quanto às vulcânicas
E nem são magníficas
Vivas
Ou seja lá o que você gosta de chamar de feliz...

O cheiro mórbido me faz beijar a terra molhada
Como se a chuva brotasse entre os meus dedos sudoríparos
Hoje eles me dizem para apenas sentir e deixar fluir
Como um feto que se desenvolve e engole por dentro sua mãe natureza
Mas no fim, não somos nós todos monstros
Infelizes o suficiente
Para procurar por algo que possa ser destruído?

E dentre tantos devaneios
O meu peito se enche de ar tentando buscar pelo teu perfume
E as malditas flores
Com seu cheiro quente
Me enchem de dúvidas carregadas por tons frios
De tristeza e sutileza
Enquanto teu corpo se despede
Sem dizer adeus
Até logo
Ou bye bye...