sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Chaos

Você tem sido a minha dor preferida, desde que decidiu partir.
Eu tenho visto como as pessoas são por dentro e tido a certeza de que te achar não foi sorte. Percebi que aqueles muros que nós coloríamos com desenhos desajeitados estão se desfazendo em tons de cinza; eles retratavam a nossa realidade tão dolorida, mesmo quando tínhamos um ao outro.
Estou carregando uma rosa com pétalas vermelhas dentro do meu peito, os espinhos machucam, mas sangrar nunca foi o meu maior problema e você bem sabe...
As pessoas continuam me olhando como se eu fosse um projeto mal feito e inglório, ou uma tentativa frustrada de felicidade passional. E, a maior ironia de todas, é que quando só consigo desabafar com as paredes, me chamam de louco (mesmo quando sabem que não seriam capazes de entender).
Talvez seja a melhor hora para partir, correr para o horizonte infinito de linhas paralelas que nunca se cruzarão e deixar as cordas romperem seus nós... Nós somos imperfeitos demais e juntos tornamos as coisas mais difíceis. Eu tenho chorado, aqui no escuro, porque te conheci.
A minha maior angústia foi me procurar nos teus olhos e não encontrar, como se houvesse uma imensidão vasta e vazia, desperdiçando a gravidade que tem puxado os nossos pés.
Apesar de tudo, obrigado. Eu agradeço aos meus deuses pelo teu adeus, pelas tuas mãos frias, os pelos entrelaçados, os cabelos cacheados embaraçando ao vento... Agradeço por me lembrar da sua existência e aprender a fórmula secreta da infelicidade.